terça-feira, 21 de abril de 2015

Imagem equivalente

O termo imagem equivalente ou equivalente a full frame ou ainda equivalente a 35mm, é um termo que está presente em alguns manuais de fotografia ou na descrição de algumas câmaras e objetivas.

O termo equivalente está relacionando com o ângulo de visão ("o tamanho" angular da região que conseguimos observar sem movimentar o rosto ou os olhos).  O ângulo de visão normal do ser humano é um pouco menor que 50⁰ , assim as objetivas com ângulo de visão próximo a este valor é descrita como normal. Para ângulos maiores, as objetivas são denominadas grande angular e para ângulos menores de teleobjetiva. (Para ângulos próximos de 180⁰, as objetivas são denominadas olho-de-peixe.)

Para uma câmara fotográfica, o ângulo de visão depende da distância focal da objetiva  e também do tamanho do sensor. Para uma câmara com filme de 35mm ou um sensor denominado "fullframe",   uma objetiva com distância focal na faixa  de 50 mm e 35 mm são consideradas normais, pois possuem um ângulo de visão respectivamente de   46,7⁰ a 63,4⁰ (considerando a diagonal, ver a figura 1).

Figura 1. A diagonal está representada em linhas pontilhadas.

No caso de sensores com tamanhos diferentes do fullframe, a situação é diferente. Por exemplo, as câmaras com sensores do tipo APS-C (existem diferenças entre uma APS-C da Canon e da Nikon, mas não vamos nos preocupar no momento com esta diferença)   possuem sensores com uma diagonal cerca de 0,62 vezes  a da fullframe. Isto faz com que o ângulo de visão, utilizando uma objetiva com a mesma distância focal em uma fullframe e uma APS-C, sejam diferentes, e dependem deste fator.  Por exemplo,  ângulo de visão de uma objetiva de 50mm em uma fullframe é cerca de 47⁰ (considerando a diagonal do filme) enquanto em um sensor APS-C, o ângulo de visão é cerca de 30⁰ [1].

O que isto significa na prática? Se você utilizar apenas um tipo de câmara, não significa muita coisa, pois estará acostumado a utilizar apenas um tipo de sensor e estará habituado a um tipo de enquadramento. Mas caso utilize diferentes tipos de câmara, ou deseja comparar as imagens obtidas com diferentes câmaras, entender a diferença é muito importante. Por exemplo, caso enquadre uma imagem utilizando uma fullframe e depois utilize a mesma objetiva em uma câmara com sensor APS-C, para obter o mesmo enquadramento, você precisa aumentar distância da câmara para o objeto fotografado. Por exemplo, com uma fullfrane se estiver  a uma  distância de 2 metros, ao utilizar  uma câmara APS-C, a distância para obter o mesmo enquadramento precisa ser aumentado para cerca de (2/0,62) metros ou cerca de 3,2 metros.

Podemos pensar de forma inversa, isto é,  para obter um mesmo enquadramento que uma APS-C, ao utilizarmos uma fullframe, precisamos reduzir a distância no nosso exemplo de  3,2 metros para 2 metros.

O valor 1,6  (que é o inverso de 0,62) utilizado acima é denominado fator de crop para o sensor APS-C da Canon. Para as câmaras da Nikon,  com sensor APS-C o fator de crop é 1,5. Existem sensores menores (como as existentes nos telefones celulares ou em câmaras compactas), com fatores de crop bem maiores. Por exemplo o sensor do IPhone 5 tem fator de crop de 7.61, e a câmara X20 da Fujifilm possui um fator de crop de 3,93. Existem fatores de crop menores, mas isto é para câmaras com filme ou sensores de médio formato , com utilização muito mais restrita para trabalhos profissionais. Na figura 2 temos os tamanhos relativos dos sensores, o maior sensor sendo de uma câmara de médio formato da Kodak, com fator de crop igual a 0,5.

Figura 2. Tamanho relativos dos sensores (fonte wikipedia [2]).
Normalmente as câmaras simples possuem sensores bem menores, por exemplo a Canon Powershot modelo SX600 SH  , possui um  fator de crop de 5,62 (o sensor aparece indicado como 1/2.3" na figura 2, sendo no caso o menor dos sensores na figura, mas existem sensores menores que não estão representados na figura). Esta câmara é anunciada como tendo uma distância focal equivalente de 24 a 450mm, o que corresponderia uma distância focal real aproximadamente de 4,2 mm a 80 mm (no manual aparece 4,5 a 81 mm).  Com a distância focal equivalente, esta câmara consegue capturar imagens em  um ângulo de visão que varia de cerca de 5,5⁰ até pouco mais de 84⁰, e tudo isto em uma câmara muito compacta! Esta câmara de acordo com o site da Canon tem uma massa de 188g, enquanto  apenas   a lente de 28mm a 300mm  (a EF 28-300mm f/3.5-5.6L IS USM) possui uma massa de 1,67kg e considerando o corpo de uma câmara fullframe, todo o conjunto teria uma massa maior que 2 kg, ou seja mais de 10 vezes mais massa que a câmara compacta!
 
Para finalizar, o fato de possuir o mesmo enquadramento não quer dizer que as imagens obtidas sejam necessariamente idênticas. Se  utilizarmos os mesmos valores de ISO, velocidade e f/stop, como a distância para o objeto é variado (assumindo que utilizamos a mesma objetiva nas câmaras com sensores diferentes), a profundidade de foco também varia. Também não podemos esquecer que quanto menor é o sensor, maior deve ser a ampliação da imagem para obter a fotografia final (digamos para imprimir em uma folha de ofício) -  não podemos esquecer  que o círculo de confusão para diferentes tamanhos de sensores, são diferentes.  Assim, para obtermos imagens iguais, precisamos considerar outros fatores, além do fator de crop.  O termo imagem equivalente, neste caso aplica-se apenas para o enquadramento, mas as imagens não serão necessariamente iguais.

Notas

[1]  Para ângulos menores que um radiano (cerca de 57⁰) para determinar o ângulo de visão de um sensor com fator de crop FC em relação ao fullframe, para uma aproximação razoável basta dividir o ângulo por FC. A explicação é que para ângulos menores que um radiano, a tangente do ângulo é aproximadamente igual ao ângulo (medido em radianos). E o ângulo de visão é obtido como sendo  duas vezes  arcotangente da razão entre a metade da diagonal do sensor pela distância focal.  Para ângulos cada vez menores (em realação a 1 radiano) esta aproximação se torna muito melhor.
[2] http://en.wikipedia.org/wiki/Image_sensor_format

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Luz

A luz é o elemento fundamental para a fotografia! É muito comum escutar ou ler que a fotografia é a arte de esculpir com a luz. Mas o que é a luz?

Para a ciência a luz é formada por um conjunto de partículas, denominados fótons. Estes objetos foram propostos pela primeira vez por Albert Einstein, em 1905 para explicar o chamado efeito fotoelétrico. Mas para uma vasta gama de situações, podemos aproximar o comportamento da luz não como um conjunto de partículas, mas como uma tipo de oscilação que denominamos ondas eletromagnéticas. As ondas eletromagnéticas descrevem não apenas a luz, mas descreve  também as ondas de rádio, as microondas,o infravermelho , a luz ultravioleta , o raio-X. A luz é apenas uma pequena parte do que denominamos espectro eletromagnético. A figura 1 ilustra o que denominamos espectro eletromagnético ( o texto do wikipédia e a ilustração podem ser acessadas  aqui, aonde os números estão mais visívies ).


Figura 1. O espectro eletromagnético (fonte wikipédia)

Na figura 1, na parte superior é apresentado de forma ampliada, a região do espectro eletromagnético que contém a parte da luz visível. Notemos que é uma fração muito pequena do espectro eletromagnético.  O que caracteriza o espectro eletromagnético? Podemos utilizar uma grandeza física   denominado comprimento de onda para caracterizar o espectro (outra possibilidade é a frequência).  Deslocando para o lado esquerdo do espectro  temos comprimentos de onda diminuindo  (e frequência aumentando ) e deslocando para o lado  direito do espectro temos os comprimento de onda aumentando (e frequência diminuindo).   Na figura 2, indicamos o que entendemos como comprimento de onda: é a distância entre os máximos de oscilação.

Figura 2: Uma ilustração da onda eletromagnética. (fonte wikipédia)
Do espectro, já podemos notar que a cor depende do comprimento de onda! Uma luz vermelha tem um comprimento de onda maior que uma luz azul, que por sua vez tem um comprimento de onda maior que a luz violeta. Mas atenção, a cor que associamos aos objetos , não dependem apenas do  comprimentos de onda da luz que observamos! Depende da nossa fisiologia (nossa olho e nosso cérebro) e também do ambiente. Alguns autores preferem dizer "cor espectral" para fazer referência a cor associada a uma onda eletromagnética com comprimento de onda bem definido. Por exemplo, a luz amarela espectral é definida como uma onda eletromagnética com comprimento de onda na faixa de 570–590 nm (nm significa nanômetro ou um bilionésimo de metro ou  0,0000000001 metro). Por que esta necessidade de especificarmos o temo "espectral"? A luz amarela pode ser obtida combinando outras cores, e esta luz amarela, apesar de percebermos como amarela, não é na verdade uma onda com um único comprimento de onda. E isto vale para as outras cores também. Pode parecer um simples capricho, afinal "amarelo é amarelo", mas é necessário para que possamos entender melhor a natureza. Além destes fato (a possibilidade de obter diferentes cores combinado cores diferentes), a cor também depende do ambiente. Nosso cérebro - produto de uma longa evolução - procura interpretar os sinais que recebe, com um padrão previamente aprendido. Mas este é um outro tópico, que vamos tratar em outro momento.

A descrição ondulatória da luz, nos permite compreender quase todos os fenômenos que são importantes na fotografia. No entanto, para o estudo de lentes de uma maneira simplificada, utilizamos uma aproximação: a ótica geométrica. Nela, a luz é considerada como um "feixe de retas" (as retas representam o "caminho" da luz, ou de forma mais precisa a frente de onda eletromagnética, mas não vamos nos preocupar com isto), como na figura 3 . Em geral, esta aproximação é boa quando os objetos que interagem com a luz, tem tamanhos muito maiores que o comprimento de onda típico da onda eletromagnética em estudo. Mas mesmo nesta situação, se olharmos a borda do objeto, a aproximação deixa de ser válida.

Figura 3. A utilização da ótica geométrica, simplifica o estudo das lentes.

Dependendo da luz utilizada, esta aproximação se torna muito boa, como podemos ver na figura 4, que foi obtida utilizando uma fonte de luz laser.

Figura 4. O funcionamento de lentes utilizando um feixe de lus laser.

Esta aproximação de ótica geométrica, nos permite estudar muitas propriedades de uma lente utilizada em fotografia: a distância focal, a abertura, o f-stop. Mas para explicar algumas aberrações que ocorrem nas lentes ou outros fenômenos,  a utilização da  ótica geométrica não é adequada. Por exemplo, a existência de uma abertura mínima para que não ocorra a degradação de uma imagem, não pode ser explicada pela ótica geométrica, nem a existência das aberrações cromáticas (na verdade dependendo do grau da aberração cromática, ainda podemos utilizar a ótica geométrica, mas não conseguimos explicar a razão da aberração). A foto na figura 5, mostra o que denominamos efeito de difração, sendo a foto de um feixe de laser que passa por um orifício pequeno. Se não tivesse o efeito da difração, teríamos apenas a região central iluminada e os anéis concêntricos de luz não iriam existir.

Figura 5.Efeito de difração (fonte wikipédia).
O efeito de difração se torna pronunciado para aberturas pequenas. Em uma foto, significa que a qualidade a imagem é reduzida. É importante lembrarmos que a difração sempre ocorre, mas caso os efeitos sejam inferiores em tamanho ao círculo de confusão, acaba não tendo muita importância dependendo da ampliação da foto ou da distância que observamos a foto.

No início escrevemos que a luz é na verdade uma coleção de partículas , os fótons. Não precisamos dos fótons para descrever nada da fotografia? Na verdade podemos utilizar apenas a descrição da luz como fótons e obter todos os resultados acima, desde o comportamento ondulatório até a descrição da  ótica geométrica. E caso esteja curioso, recomendamos o livro QED de Richard Feynmann. (QED são as inicias em inglês de Eletrodinâmica Quântica que é um tópico bem especializado da física), que propõe a discutir em forma simples a eletrodinâmica quântica.

Mas tem um tópico que a não tem como utilizar a luz como uma onda eletromagnética para explicar corretamente: é o efeito fotoelétrico citado no começo do texto. E aonde este efeito é utilizado em fotografia? Nos sensores digitais (e em última análise, na descrição também da fotografia analógica, aonde o filme faz o papel do sensor) que são o "coração" das modernas câmeras digitais!

No próximo texto, vamos então explicar o que é o efeito fotoelétrico e porque precisamos da descrição da luz como  fóton (partícula)


Nota: Como sempre, as fotos /imagens cujas fontes não são citadas, foram produzidas pelo autor do blog. Todas possuem a licença Creative Commons  (como as fotos com fontes identificadas) e podem ser utilizadas, respeitando as normas da licença. 

domingo, 8 de março de 2015

Editar ou não editar, não é a questão.

Um tema recorrente é sobre editar uma fotografia. Entendendo como editar, qualquer modificação realizada na imagem obtida pela câmara. Esta discussão  tem se tornado presente  no público em geral, principalmente relacionado com  imagens que vendem algum produto ou de promoção de pessoas.

Será que editar uma imagem é algo que precisa ser evitado? Será que devemos considerar como fotografia apenas aquelas que não sofrem nenhuma edição desde a sua captura? (Poderíamos chamar de fotografia apenas as não editadas e imagens as editadas, como se uma fotografia fosse diferente de uma imagem?).

Em uma época de fotos com câmaras digitais, algumas pessoas costumam dizer "sem filtro" como sinônimo de "sem edição" (o termo filtro é utilizado em algumas câmaras digitais e programação de edição, para representar um conjunto de edições nas fotos).

A grosso modo podemos considerar dois tipos de edição: (1) a que inclui ou exclui elementos da fotografia e (2) a que modifica a imagem sem a exclusão e/u inclusão de elementos (por exemplo, alterar o equilíbrio de branco , a saturação ou a luminosidade).

Algumas pessoas aceitam o segundo tipo de edição (mas sem exageros)  mas rejeitam as do primeiro tipo, como sendo  "alteração indesejáveis".

No início de 2014, foi amplamente noticiado que um fotógrafo ganhador do prêmio pulitzer, foi demitido por manipular uma imagem. Qual foi a manipulação? Retirar da imagem uma câmara de vídeo no canto inferior da imagem.  A imagem e a história podem ser vista e lida em diversas fontes, por exemplo neste  site de notícias.  As regras para o foto jornalismo são bem definidas!


Mas para a industria de moda e beleza, a utilização de manipulação de imagens aparentemente não tem regras definidas, gerando amplas discussões  sobre o assunto, como a produção deste vídeo mostrando a diferença entre a modelo original e a final.

A edição de fotos não é um privilégio da  era digital, pois desde os primórdios da fotografia, a manipulação está presente. Com a era digital, ficou mais fácil e acessível a um número maior de pessoas.

Utilizar ou não utilizar, fica a critério de cada um e as regras definidas para cada segmento. Para o fotógrafo eventual (para quem escrevo este blog), a única regra é ser sincero. Mas não é preciso  dizer sempre se uma imagem foi ou não editado (algumas edições são evidentes, mesmo para olhos não treinados), mas caso seja questionado, seja sincero. Uma boa edição também é resultado de um longo trabalho, e quando bem realizado, merece ser apreciado. E claro, caso participe de algum evento (concurso por exemplo), respeite as regras do mesmo.

O que importa é ser feliz em sua atividade de fotografar.


sábado, 21 de fevereiro de 2015

2015 - O Ano Internacional da Luz



A UNESCO estabeleceu o ano de 2015 como o Ano Internacional da Luz (ver em UNESCO).  Mas por que 2015 é o Ano Internacional da Luz? Por que é um ano que comemoramos várias acontecimentos relacionados com a luz. Da resolução da UNESCO (em espanhol)

Observando que el año 2015 coincide con los aniversarios de una serie de hitos importantes en la historia de la ciencia de la luz, entre ellos la labor sobre la
óptica de Ibn Al-Haytham en 1015, la noción del carácter ondulatorio de la luz
propuesta por Fresnel en 1815, la teoría electromagnética de propagación de la luz  formulada por Maxwell en 1865, la teoría de Einstein del efecto  fotoeléctrico en  1905 y de la incorporación de la luz en la cosmología mediante la relatividad  general en 1915, el descubrimiento del fondo de microondas del cosmos por Penzias  y Wilson y los logros alcanzados por Kao en la transmisión de luz por fibras para la  comunicación óptica, ambos en 1965.


 temos alguns dos grandes eventos relacionados com o estudo da Luz. E  para a fotografia, a LUZ é fundamental!

Assim, ao longo do ano vamos aproveitar para fazer algumas postagens no blog  sobre a ciência da luz. E sobre este assunto, temos muito para falar, já que temos pelo menos 1000 anos de histórias desde os trabalhos de Ibn Al-Haytham (965-1040) até os trabalhos atuais em ótica.

E como um pequeno aperitivo, vamos tentar responder brevemente o que é a luz. Hoje tratamos a luz como um conjunto de partículas, que denominamos fóton. A idéia da luz como sendo um fóton,  tem seu início em 1905, com o trabalho de Albert Einstein (1879-1955) a respeito do chamado efeito fotoelétrico (observação: o termo fóton não foi introduzido por Einstein). Para as câmaras fotográficas, em particular os com sensores digitais, a descrição da luz como um conjunto de fótons é fundamental (mesmo para as fotografias analógicas, a descrição como fótons é importante).

E antes de Einstein, como era tratada a luz? Desde os trabalhos de James Clerck Maxwell (1831-1879) em 1865, a luz era  tratada como uma oscilação do campo eletromagnético, ou dito de outra forma, uma onda eletromagnética.

Temos então duas descrições contraditórias para a luz: uma como onda e outra como partícula?  Na verdade não são contraditórias, o que ocorre é que dependendo da situação, o comportamento ondulatória é a mais adequada e em outras a descrição de partícula (fóton) se torna mais adequada. Este comportamento, que dizemos dual  é um comportamento comum para a física moderna.

É interessante notar que a descrição da luz como partículas, era defendida por Isaac  Newton (1643-1727) e o comportamento ondulatório por Christiaan Huygens (1629-1695), um cientista contemporâneo de Newton, isto já no final do século XVII. A vida de Newton e o debate com Huygens, é um capítulo bastante interessante na história da ciência, e para quem tiver interesse, é um assunto que vale a pena estudar. (Para evitar mal entendidos, a construção corpuscular da luz de Newton é bem diferente do modelo atual de fóton, que teve início com o trabalho de Einstein em 1905.)

 Mas e para a fotografia, é importante conhecermos em qual situação precisamos considerar o comportamento da luz como partícula ou como onda? A a resposta é um simples "não é necessário". A não ser que o interesse seja compreender os mecanismos físicos envolvidos por exemplo, na formação da cor, das aberrações nas lentes ou do funcionamento dos sensores das câmaras. E mesmo assim, apenas se o interesse for a de conhecer detalhadamente estes mecanismos físicos. Felizmente, podemos explicar de forma simplificada muitos destes fenômenos, e para os interessados em fotografia e que não desejam aprofundar nos mecanismos físicos envolvidos, uma descrição qualitativa é sempre possível.

Para uma leitura (texto em inglês)  uma sugestão é o artigo  Milestone publicada pela revista Nature. Vale a pena uma leitura no artigo.

Em português, estes dois livros A História da Luz de A.R. Salvetti e A Luz de R. Barthem, são duas   recomendações interessantes.


Que 2015 ilumine a todos!


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Lembretes

A fotografia é uma atividade essencialmente prática, mas  não quer dizer que não devemos ter conhecimentos teóricos ou que o mesmo seja inútil. O conhecimento teórico pode ser um bom aliado na tomada de decisões para a escolha do momento adequado ou das regulagens adequadas da câmara.

No entanto, em geral, a prática constante nos auxilia muito na hora de fazer uma boa imagem. Assim, o ideal é sempre praticar. Com as câmaras digitais, os custos acabam sendo mínimos! (Uma vez que tenha a câmara para praticar.)
Figura 1. A primeira leitura.

Mas antes de começar a fazer as imagens, leia o manual da sua câmara! Caso não queira ler todo o manual no primeiro dia, leia pelo menos as instruções básicas. Pode parecer bobagem, mas aprenda como ligar e desligar a câmara, como carregar a bateria (ou trocar as pilhas) e os cuidados com a manutenção e armazenagem da mesma. Procure deixar a câmara sempre em um ambiente seco (não deixe armazenado dentro da bolsa), e  se ficar muito tempo sem usar, deixe as pilhas e ou baterias fora da câmara. (As baterias originais não costumam ter problemas de vazamento, mas as pilhas podem vazar.)

Compre um kit de limpeza para a câmara e a lente (ou as lentes). Não use papel toalha, papel higiênico ou sua camiseta para limpar a lente! Não use pincel com cerdas duras: sua lente ou câmara não é uma tela para ser pintada!

Ao guardar a câmara, deixe sempre as lentes protegidas, usando a tampa que costuma vir junto com a lente. Algumas câmaras compactas não possuem estas tampas, pois ao serem desligadas a lente é recolhida automaticamente.  Nestes casos, cuide para que não entre poeira no sistema. E caso algo fique emperrado, não force! Leve a uma assistência técnica de confiança.

Figura 2. Use SEMPRE uma bolsa adequada! Não embrulhe em plástico ou em jornal.


Não carregue sua câmara junto com outros objetos, principalmente metálicos como molho de chaves, moedas, pilhas etc.  Carregue sempre em bolsas adequadas.  Uma bolsa ou mochila adequada para a sua câmara NÃO é um gasto, é um investimento, ou melhor uma proteção ao seu investimento.

Figura 3. Sempre faça cópias das suas fotos.
Após uma sessão de fotografia, faça pelo menos uma cópia das imagens em um computador e se possível em um HD externo (cds e dvds podem ser uma outra opção, mas lembre-se que é muito comum que os mesmos estraguem com facilidade, principalmente devido a armazenamento e manipulações inadequadas) . Caso sejam muito importantes, faça copias em mais de um local, e não deixe tudo guardado no mesmo local! Para imagens que considere realmente importates, faça uma cópia em papel. Antes de armazenar, procure apagar as imagens realmente ruins (use seu próprio critério para definir o que é "ruim"), para economizar espaço. E sobretudo, desde o início, estabeleça um critério de separação em pastas, com datas e nomes descritivos. Depois de algum tempo, estas informações podem ser muito importantes para ajudar a recuperar alguma imagem em particular. Mesmo que seja um fotógrafo eventual, uma organização das imagens é muito importante. E se possível, para aquelas fotos especiais,  guarde sempre uma cópia impressa.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Comprando uma câmara simples

Um dia, por qualquer motivo, você resolve iniciar na fotografia, e invariavelmente a primeira pergunta é: "Qual câmara comprar?".

Será que existe uma câmara certa para comprar?  Sim, claro que existe! Mas uma câmara boa para você pode não ser uma câmara boa para outra pessoa.

Para que deseja uma câmara?

Existem muitos motivos que podem levar a desejar uma câmara, mas com certeza a principal delas para a grande maioria das pessoas deve ser a de fixar determinados momentos com a família e/ou amigos, em festas, no dia a dia ou em viagens.

Para estas situações, existem câmaras simples com custos relativamente baixos. Inclusive câmaras de celulares podem ser uma boa opção.  Outra opção são as câmaras conhecidas como "apontar-e-tirar" (em inglês point-and-shoot). Estas câmaras apesar de serem simples, possuem algumas opções pré-programadas para diferentes ambientes e situações. Possuem  uma faixa interessante de zoom ("ampliam" as imagens). E existem câmaras que podem trabalhar dentro da água (mas não exagere, e em todo caso, é bom tomar muito cuidado em ambientes com areia, como em praias).

Entre as câmaras do tipo apontar-e-tirar, existem diversas opções! Aqui entra a questão do custo da câmara. Se não pretende fazer fotos  dentro da  água, não vale a pena comprar uma que possa ser utilizada dentro da água!  Se o uso principal for de fazer fotografias de pessoas, não vale a pena procurar uma câmara com zoom muito grande. Em relação ao zoom, não se preocupe com zoom digital, mas com o zoom ótico. Entre uma câmara com zoom digital de digamos 32x e zoom ótico de 4x  e outra com zoom digital de 24x e zoom ótico de 8x, prefira a segunda. Na verdade o melhor é esquecer do zoom digital! Isto pode ser realizado no próprio computador.

Caso a fotografia seja algo eventual, não pense em investir muitos recursos. Mas isto não implica que as fotos acabem ficando com baixa qualidade. A foto 1 foi feita com uma câmara do tipo apontar-e-tirar.

Foto 1. Uma vista dos campos de cima da Serra, em Cambará do Sul, RS.
Um outro exemplo com câmara simples é  a foto 2, que foi obtida em local com baixa luminosidade, com a câmara apoiada em uma mesa para evitar que a imagem ficasse borrada.

Foto 2. Imagem em situação de baixa luminosidade.


Em alguns casos, o celular pode ser a melhor opção. E as imagens que podem ser obtidas com uma câmara de celular, podem ser surpreendentes.

Foto 3. Imagem feita utilizando um celular.
 A foto 3 foi feita com uma câmara de celular (a imagem original foi recortada). E mesmo em situação de baixa luminosidade, a imagem feita com um celular pode se tornar interessante.


Foto 4. Imagem urbana.

 A foto 4 foi realizada no final da tarde, com a câmara apoiada no vidro do carro - que estava parado no trânsito.  A baixa luminosidade, fez  a câmara do celular automaticamente escolher uma velocidade baixa, de forma que as duas pessoas em movimento e o carro em primeiro plano, ficaram borradas, enquanto o fundo ficou bem definido.

As câmaras utilizadas nas fotos acima, são bem simples, sem muitos recursos, com praticamente todas os ajustes sendo automáticos.  O que ajudou na obtenção das imagens, foi um conhecimento sobre os limites das câmaras utilizadas e algumas noções técnicas de fotografia. A foto do pernilongo na janela, não seria possível sem a iluminação externa do Sol, que no dia estava forte e entrando pela janela. Na foto 4, se não tivesse a parede ao fundo, a focalização automática do celular, ficaria muito confusa e a imagem não seria possível.

Assim, independente da câmara , é muito importante ter uma noção inicial de fotografia (composição e questões técnicas de fotografia como foco, abertura por exemplo) para poder aproveitar ao máximo a câmara que estiver utilizando. E as câmaras simples, podem ser um bom começo para aprender estes conceitos importantes! E sempre tire muitas fotos! Não fique triste se as imagens não ficarem boas, utilize-as para aprender a melhorar as suas fotos.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Um pouco de perspectiva ou como olhar uma fotografia.

Existem fotos que olhamos e sentimos diversas sensações, que pode ir do deslumbramento a uma sensação de estranheza. Estas sensações  tem sua origem no que representa a imagem para cada pessoa. Mas algumas das sensações podem ser enfatizadas ou reduzidas dependendo de como é registrada a imagem.

Para entender esta questão de origem mais técnica, devemos considerar algumas coisas: (a) em uma câmara fotográfica, a imagem de um conjunto de objetos é projetada em um plano aonde está localizado o sensor; (b) a posição relativa da câmara em relação ao(aos) objeto (objetos) capturados pela câmara e a posição que olhamos a imagem. Existem outras questões importantes , como o tipo de objetiva utilizada, mas vamos nos concentrar no momento nos dois itens acima.

No nosso cotidiano, utilizamos a nossa capacidade de reconstruir imagens tridimensionais (noções de profundidade, distâncias etc) desenvolvida ao longo de toda evolução humana, sendo composta basicamente pela nossa visão binocular e a capacidade de processamento do nosso cérebro. Ao longo da nossa vida, acumulamos um "catálogo" de imagens, que nos permite reconhecer diferentes objetos, se são inofensivos ou perigosos. Muitas imagens sendo associadas a sensações bem particulares, como de bem estar, alegria, medo etc. Mesmo quando não obtemos uma imagem completa, possuímos a capacidade de interpretar o que está sendo observado, fazendo uma associação  com alguma das imagens do nosso catálogo. Esta capacidade sem dúvida alguma foi (e ainda é) muito importante para os nossos antepassados, que precisavam fugir dos predadores. Não precisavam ter uma imagem completa, bastava um simples "vislumbre" do predador e isto dava uma vantagem na hora da fuga. É o velho ditado, melhor prevenir do que remediar, fugir mesmo que não seja um predador real, do que ficar para comprovar que é o predador! É claro que isto tem também desvantagens: reconhecemos padrões em coisas completamente aleatórias!  Por exemplo reconhecemos rostos em manchas em janelas, pedaços de pão, na superfície de Marte.  E isto tem um nome Pareidolia. Mas voltemos para nosso texto.

Em uma foto perdemos a tridimensionalidade, pois a imagem está registrada em um plano e com a utilização de apenas um "olho" - a objetiva da câmara.  Para interpretar adequadamente a fotografia recorremos ao nosso "catálogo" de imagens, as nossas experiências, para interpretar a foto de forma que seja a mais próxima do nosso mundo tridimensional.

Quando o plano do sensor está alinhado com o plano (ou planos) aonde estão contidos os objetos fotografados, não estranhamos muito a imagem obtida , assumindo que estamos utilizando uma objetiva considerada normal  e considerando que a câmara esteja em uma posição muito próxima da altura dos olhos. Mas se uma destas condições forem alteradas, a imagem registrada  pode nos passar diferentes sensações.




Na foto acima, registramos duas canecas de tamanhos diferentes, posicionando a câmara em três posições distintas. No centro a câmara está equidistante das duas canecas, na foto da direita a câmara está posicionada bem próximo da caneca menor e na foto da esquerda está posicionada próximo da caneca maior. A simples modificação no posicionamento da câmara altera a nossa percepção da imagem.  Se olharmos apenas a foto da direita, a primeira impressão é que a caneca branca é praticamente do tamanho da caneca com o Mestre Yoda.


Uma situação diferente ocorre quando o plano focal não é paralelo aos objetos , que ocorre por exemplo, quando fotografamos uma prédio de baixo com a câmara inclinada para tentarmos incluir todo prédio na foto.



Uma maneira de evitar esta distorção é manter o plano focal sempre paralelo ao objeto fotografado - no caso o prédio. Em geral, precisamos afastar mais do prédio ou como na parte direita da foto anterior registrar apenas uma parte do prédio, o que nem sempre é possível ou desejável!  Mas existem câmaras e também objetivas especiais que tornam este processo possível sem a necessidade de se afastar do prédio (ou de qualquer outro objeto). No caso das objetivas são as denominadas objetivas tilt-shift, que são muito úteis para fotografias de arquitetura e outras aplicações. Para quem estiver interessado, uma leitura inicial pode ser efetuada neste texto (em inglês, pois o texto em português está muito simples, com poucas informações) do  wikipedia.

Os exemplos acima ilustram como o posicionamento da câmara em relação ao objeto a ser registrado, influenciam no resultado final. Desejando uma imagem a mais próxima da real, devemos cuidar do posicionamento da câmara, considerado a sua distância e orientação, sempre considerando a possível distância e posicionamento que a mesma será observada. Mas este não é uma regra fixa! Muitas fotos interessantes são produzidas quando assumimos pontos de vista diferente do usual. E de qualquer forma, o posicionamento da câmara deve ser escolhida de acordo com o que desejamos enfatizar. Por exemplo, podemos combinar os diferentes posicionamentos e  profundidade de foco para obter resultados bem diferentes, mesmo registrando os mesmos objetos.


Na foto anterior, na esquerda o posicionamento da câmara está acima dos objetos, com o foco apenas na xícara de café. Na direita o posicionamento da câmara é praticamente na altura da mesa, e agora enfatizando a torta e não o café e neste caso, não temos visão do livro. Notemos que a foto da esquerda é a mais próxima da nossa visão real (estamos olhando por cima) apenas enfatizando (focando) o café, que é o que desejamos chamar a atenção. Na foto da direita, o posicionamento não é a normal (exceto se estivermos deitado na mesa, o que convenhamos, não é muito comum), mas serve para enfatizar o pedaço da torta.


Estas mudanças no posicionamento correspondem a uma mudança na perspectiva com que olhamos (com a câmara) nossos objetos. A perspectiva é um elemento muito importante na composição de uma imagem, sendo um tema que merece ser aprofundado por qualquer pessoa interessado em fotografia. Alterar a perspectiva, pode tornas um simples objeto, algo mais interessante como na foto acima de uma folha seca no chão. Muitos fotógrafos utilizam diferentes perspectivas, mesmo sem um conhecimento do assunto, utilizando seus conhecimentos práticos. Mas vale a pena dar uma lida e estudar temas como a perspectiva, para entendermos melhor o que está envolvido na composição de uma imagem.